"Free-Lance" carreira solo como profissão.
Quando o assunto é trabalho, muita gente sonha em ser dono do
próprio expediente. Nesse caso nem estamos falando de quem almeja ter um negócio
para chamar de seu, a questão aqui é ser freelancer. Só que disposição,
organização e infra-estrutura são algumas das características necessárias para
quem pensa em ser freelancer. Se por um lado, você mesmo comanda seus horários,
por outro, lida com a instabilidade financeira e com a mesma cobrança de uma
empresa. Há muito tempo
assumi a idéia de ser meu próprio chefe, determinando meus
horários e dias específicos para trabalhar. Desde o momento que decidi ser
freelancer sabia que seria apenas um complemento em minha renda mensal.
Vivo
de frilas há aproximadamente 12 anos. Além de ser correspondente de sites
estrangeiros, presto consultoria para algumas marcas de moda e faço assessoria
de imprensa para alguns cantores. Gosto muito da liberdade de correr atrás do
que eu quero, trabalhar em casa, fazer as coisas no meu timing, tirar férias
quando quiser. Para quem sabe organizar a vida desse jeito, é
bom.
Internet e a consolidação do "frila"
O boom
da Internet teve sua colaboração para o aumento de procuras por freelas. A
invenção da mídia digital não só abriu muitas oportunidades de emprego, como
aumentou significativamente a distribuição e velocidade da informação.A Internet
ampliou campos, pelo menos na área relacionada com o desenvolvimento de sites e
conteúdo jornalístico. Acredito piamente que, cada vez mais, freelancers
entrarão no mercado. Para muitos, só a idéia de ser frila congela os nervos. Tem
gente que acredita que trabalhar por conta própria é um grande risco.
Considerado como um trabalho instável, muitos aceitam as condições dispostas por
empresas em troca de um mínimo de estabilidade. Para mim esta mesma estabilidade
independente de ser frila ou contratado, está na arte da disciplina. Ou seja,
cumprir prazos, entregar as matérias no tempo certo, ser criativo e,
principalmente, ser artista: passar a informação para o papel. É certo que a
credibilidade de um bom profissional está justamente no trabalho que ele
executa. Se você for bom, alguns irão comentar sobre você, caso contrário,
muitos irão falar de você. Aí sim, você fica a ver navios.
Abaixo confira o breve bate papo entre o jornalista e a Fundação
Fórmula Cultural
Fundação Fórmula Cultural - O que é o
trabalho frila para você?
André Abrantes - Acho que o frila é uma
chance de poder trabalhar - e ganhar para isso. Tem vantagens e desvantagens.
Considero vantagem o fato de muitas vezes se poder trabalhar na própria casa e
lá produzir todo o trabalho tendo uma certa flexibilidade de tempo. Já falando
em desvantagens, eu considero a impossibilidade - dependendo do projeto - de se
trabalhar em equipes multidisciplinares, trocando idéias com mais profissionais
e a instabilidade da remuneração. Agora, tudo depende do know how do
profissional e do nome. Para profissionais muito disputados, ser freelancer pode
ser melhor negócio do que pertencer a alguma empresa, a não ser a dele mesmo.
FFC - Existe o frila profissional?
AA - Existe.
Muitas vezes são profissionais que chegaram a um patamar de know-how que para
eles pode valer mais a pena só trabalhar como frila. São poucos. Mas há também
os que na verdade trabalham direto como frilas porque ainda não conseguiram se
colocar em nenhuma empresa por diversos motivos.
FFC - Você
acredita neste modelo de trabalho?
AA - De uma maneira mais
geral acho que é uma fase por qual a maioria dos profissionais passa e não um
modelo de trabalho em si, embora muitos funcionem bem dessa forma. Pode ser
lucrativo para donos de agência de comunicação e assessorias de imprensa como
pode ser para os frilas. Depende muito.
FFC - Você acha que
começar como frila é uma boa para quem está saindo da faculdade?
AA
- Não. Acho que o ideal é começar aprendendo na prática em empresas que
ofereçam oportunidades de trabalhar ao máximo o seu lado profissional, mesmo que
a remuneração não seja grande coisa. Para mim, aceitar a idéia de ser frila foi
bem difícil, afinal, você não é conhecido, a concorrência é grande,
principalmente em cidades grandes, como o caso de Rio de Janeiro e São Paulo. Um
conceito que sempre segui, é estar sempre atento às oportunidades, elas aparecem
quando você menos espera. Vale lembrar que aprender é fundamental e a chance de
aprender com quem sabe é rara e valiosa. Muitos profissionais recém formados
saem da faculdade sem nenhuma experiência e já querendo ganhar rios de dinheiro,
o que é um erro brutal. Eu mesmo estagiei muito e as vezes sem ganhar nada.
FFC - O mercado enxerga diferente quem é frila e quem tem
"carteira assinada"?
AA - Depende do currículo e da experiência do
profissional. Tem profissionais de carteira assinada e que são medíocres em
empresas, como tem freelancers cheios de talento e experiência que não estão em
empresa alguma, mas estão participando de grandes projetos. Claro que o
contrário também acontece.
FFC - Um conselho para quem quer
ser frila:
AA - Nunca pare de se aperfeiçoar. Nunca pare de
adquirir conhecimento da sua área e das áreas afins. Procure sempre se reciclar,
participando de workshops, cursos, etc. Aprenda a vender sua própria imagem como
profissional. Procure participar de grandes projetos onde se tenha a
oportunidade de trabalhar em equipes multidisciplinares. Isso traz experiência,
conhecimento e milhões de contatos. Não esqueça que o frila é o agente principal
de seu próprio sucesso.
Veja algumas matérias de ANDRÉ
ABRANTES
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